sexta-feira, 25 de maio de 2012

o oráculo

por guilherme bernardes

tô precisando disso.
de absurdo.
chega dessa coisa normal.
cansei de previsões, de
conselhos, da porcaria do i-ching.

nada disso vai me
dar o que
eu quero.

eu preciso.

quero sentir meu sangue
jorrar. mas não quero que seja dentro
de mim. quero que ele
saia. quero poder ver se
ele é mesmo vermelho.
quero dizer que valeu
a pena deixar
tudo isso rolar.

quero respirar fumaça
quero beber até passar mal
quero me perder no caminho pra casa

vou pegar o ônibus errado
e ir parar na puta
que o pariu e
voltar de lá a pé,
passando nos lugares mais fodas
sem medo de nada.

quem sabe assim as
coisas não saem
um pouco do padrão.

e quero ir sozinho.
chega de ajuda.
deixa eu me fuder, porra!

não é de hoje. eu sei. tu sabe.
é só aceitar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

o céu

por guilherme bernardes

deitar
na grama e ficar ali
olhando o céu
até sentir medo de
cair pra
cima

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

o bocejo

por guilherme bernardes

o primeiro bocejo
surge e tudo que
consigo pensar é em te
ter ao meu lado
e dividir a cama contigo

deixar a tv num filme
antigo fazendo
barulho
enquanto a gente
conversa sobre qualquer
coisa, olhando fundo
nos olhos e na boca e na alma

braços envolvendo
corpos

e tudo que acontece
é natural
é necessário para
o continuar de nossas
vidas
naquele momento e tomamos
consciência disso

a tv desliga e ficam
apenas os ruídos
de nossos pulmões trabalhando
e corações

batendo

até a hora do sono
e o sonho
ser compartilhado e no
dia seguinte
esperar que agora
seja a hora desse
momento ser real

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

o calor

por guilherme bernardes

tiro teus óculos
e você não vê mais do
mesmo jeito.
agora sua visão é o tato.
e você sente meu corpo
te protegendo e te
fazendo bem.
sem roupas para que
o calor
se transmita melhor
e deixe uma marca eterna
por dentro e por fora.